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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

WikiLeaks derruba a máscara do imperialismo



Uma das lendas mais notórias das guerras contemporâneas do imperialismo é a alegação de que as ações bélicas são “cirúrgicas”, “pontuais”, e evitam ataques e sofrimentos para a população civil.

Só os iludidos acreditam nisso. A mídia partidária do imperialismo não consegue esconder em seus noticiários as graves violações cometidas contra os povos; mesmo quando não são ditas palavras, as imagens publicadas sugerem a barbárie que o imperialismo faz questão esconder.

Desde julho, quando a página eletrônica WikiLeaks começou a divulgar documentos secretos, elaborados pelos soldados da tropa de ocupação do Iraque e do Afeganistão, pode-se ver com mais precisão a extensão do “moinho satânico” que o imperialismo impõe aos povos. Naquela ocasião, os documentos divulgados relatavam agressões contra a população civil e ações militares à margem da legislação internacional (que configuram, portanto, crimes de guerra) cometidos pelas tropas de ocupação comandadas pelos EUA principalmente no Afeganistão.

Desta vez, o enorme volume de documentos secretos do Pentágono (92 mil páginas) divulgados na semana passada pela WikiLeaks relata atrocidades cometidas durante a ocupação do Iraque, desde 2004 a 31 de dezembro de 2009.

São relatos escritos por militares das tropas de ocupação que descrevem um roteiro selvagem e desumano, que inclui o assassinato de civis numa escala muito superior à admitida oficialmente pelo governo de Washington e torturas generalizadas contra prisioneiros, praticadas por todos os agressores: soldados do Exército dos EUA, mercenários contratados para “segurança” dos comandantes da guerra e também pelo exército iraquiano formado e treinado pelos ocupantes de seu país.

Um exemplo da barbárie dos invasores foi o massacre, cometido em 16 de agosto de 2007 contra um povoado; um grupo de soldados das tropas de ocupação resolveu vingar-se de um ataque e bombardeou a população indiscriminadamente. Explodindo uma casa onde ocorria uma festa de casamento; seis pessoas morreram (entre elas quatro mulheres e um bebê) e três ficaram feridas (todas mulheres, uma grávida de nove meses).

Os documentos revelam a pratica sistemática de torturas (surras, choques elétricos, metais incandescentes, afogamentos) contra os prisioneiros, inclusive mulheres, cometidas também pelos três pilares da ocupação – as tropas invasoras, os matadores profissionais contratados por empresas de segurança como a Blackwater, e o exército pró-EUA do governo do Iraque.

Ações desse tipo, segundo o editor Julian Assange, do WikiLeaks, recheiam os relatórios secretos do Pentágono, e há descrição detalhada do assassinato de 2.000 iraquianos.

O lote de documentos agora publicados revela também que os militares dos EUA tentaram esconder a morte de 15 mil civis iraquianos. Ele revela um número total de 109 mil mortes, entre as quais 15 mil que nunca haviam sido reveladas!

A condenação das guerras constitui um clamor civilizatório antigo. A repulsa a agressões imperialistas cresceu, ao longo do século 20, depois das barbáries que a máquina de guerra nazista cometeu contra os povos. No início do século 21, é inaceitável que ações agressivas dessa natureza continuem sendo impostas aos povos que não aceitam submeter-se aos desígnios do imperialismo. Hoje, as atrocidades são cometidas sob a bandeira listrada dos EUA, com os mesmos objetivos predatórios de sempre: a submissão dos povos, a pilhagem de suas riquezas e o alcance de um arranho geopolítico mundial favorável à manutenção do mando imperial.

E impõe, como lembra o responsável pela revelação da brutalidade imperialista no Oriente Médio, Julian Assange, a única saída para o início da reconstrução da vida naquelas nações: a retirada das tropas de ocupação, que foram enviadas para lá com base em argumentos mentirosos e continuam lá à base de alegações falsas. Depois das revelações dos documentos secretos da barbárie, não há mais nenhuma justificação aceitável para que aquelas tropas continuem lá.

Editorial - Vermelho.org.br

domingo, 24 de outubro de 2010

O Rolo para os Tolos: Manipulação nas Eleições Presidenciais

Diorge Konrad *

Aquele que diz uma mentira não sabe a tarefa que assumiu, porque está obrigado a inventar vinte vezes mais para sustentar a certeza da primeira (Alexander Pope)

Muitas pessoas pensam que quem diz a verdade só precisa de coragem. Esquecem a segunda dificuldade, a que consiste em descobri-la. Não se pode dizer que seja fácil encontrar a verdade. Quando o escritor e dramaturgo alemão Bertolt Brecht escreveu isso, em “As cinco dificuldades para escrever a verdade”, sabia da luta de classes, conhecia a manipulação da informação no capitalismo, tinha sido escolado na sua Alemanha.

Após a eleição de Hitler e a ascensão do nazismo, em 1933, Brecht foi para um longo exílio. Nesse período viu o Incêndio do Reichstag, mentira do Nacional-Socialismo que deu plenos poderes ao terror de Estado. Em 27 de Fevereiro, um comando nazista ateou fogo no parlamento alemão e Hitler colocou a responsabilidade nos comunistas. A maioria dos alemães acreditou e apoiou a Lei da Autoridade, início do massacre ao Partido Comunista, aos judeus e democratas radicais.

De lá para cá se repete a frase do seu Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels: De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade”. Há dúvida histórica sobre esta frase ser de Goebbels. No processo histórico, nenhum governo se mantém muito tempo apenas com propaganda ideológica, mentira ou repressão, é preciso muito mais. Sabem disso a Luftansa, a Bayer, a Krupp, a Wolkswagem e até a norte-americana IBM que sustentaram o Reich que queria ter mil anos.

Sabe-se que ódio nazista instrumentalizava a imprensa, o rádio e o cinema para a orquestração da mentira. Mas a estratégia era mais inteligente. A diretriz goebbeliana era trabalhar a meia verdade – a verossimilhança - e direcioná-la aos interesses do poder. Em seu decálogo havia outros princípios: 1) de simplificação - individualizar o adversário em um único inimigo; 2) da transposição - atribuir ao adversário os próprios erros ou defeitos: “Se não podes negar as más notícias, inventa outras que as distraiam”; 3) do exagero e desfiguração - converter qualquer anedota em ameaça grave; 4) da vulgarização: “Toda propaganda deve ser popular, adotando seu nível ao menos inteligente dos indivíduos, aos que se dirige”; 5) de orquestração - “A propaganda deve limitar-se a um número pequeno de ideias e repeti-las incansavelmente”; 6) de renovação - emitir constantemente informações e argumentos novos a um ritmo tal que, quando o adversário responda, o público está já interessado em outra coisa. As respostas do adversário nunca devem poder contrariar o nível crescente de acusações; 7) da verossimilhança - construir argumentos através dos chamados balões de ensaios ou de informações fragmentadas; 8) do silêncio - calar sobre as questões das quais não se tem argumentos e encobrir as noticias que favorecem o adversário; 9) da transfusão - a propaganda opera sempre a partir de uma mitologia nacional ou um complexo de ódios e prejuízos tradicionais; 10) Principio da unanimidade - convencer muitos, criando impressão de unanimidade.

O Brasil tem exemplos. O Plano Cohen, criação de integralistas brasileiros e do governo de Getúlio Vargas foi a farsa que ganhou as capas diárias de O Globo, entre outros, justificando o Golpe de Estado de 10 de novembrro de 1937 e nove anos de intensa repressão. Contra o próprio Vargas, entre 1951 e 1954, a UDN e Carlos Lacerda levaram ao suicídio de Vargas, um “cala boca!” à direita e seus aliados imperialistas.

Depois do liberalismo conservador de Jânio Quadros, a Campanha da Legalidade de 1961 garantiu Jango na Presidência, mas os escolados golpistas não desistiram. Na conjuntura das Reformas de Base, a burguesia multinacional e associada, a CIA e o Pentágono, como mostrou René Dreifuss, em 1964: a conquista do Estado, criaram um Estado-Maior Golpista. Da Legalidade até o Golpe Civil-Militar de 1964, a direita brasileira mentiu, desinformou, conquistou a pequena burguesia moralista com o discurso da corrupção e ameaça comunista. Com apoio de O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e O Globo, impediu o avanço da democracia e de mudanças estruturais: reformas agrária, urbana, universitária, administrativa e tributária.

Em 1989 dois projetos foram para o segundo turno. Mas as mentiras da “Renovação Nacional” do PRN derrotaram Lula e o neoliberalismo alçou vôo, um projeto nefasto que teve seu auge com o PSDB e o PFL, hoje DEM. Suas marcas foram e são tão profundas que oito anos de Governo Lula não rompeu o processo: a macro-política econômica dos tempos de FHC e a lógica privada e rentista ainda são hegemônicas. Mesmo assim, o liberalismo conservador e seu partido maior, a mídia golpista, não se contentam.

José Serra-Índio da Costa REPRODUZEM E SÃO A TÁTICA DA DIREITA BRASILEIRA. Manifestos que insinuam a ameaça à democracia e à liberdade de imprensa, idênticos ao do pré-1964, e a manipulação da mídia têm sido o mote de sua campanha eleitoral.

A História não pode esperar para dar a resposta tardia. Perdemos em 1937, em 1964, em 1989. Urge desmontar a farsa da mídia que está ao lado de José Serra, o ator-vítima que encena a vergonhosa ópera-bufa baseada na manjada trama engenhosa e ridícula de nossas classes dominantes, as quais jogam com o medo para impedir qualquer mudança no País.

A tentativa de colocar quebra de sigilo fiscal no colo do Governo Lula e da candidatura de Dilma, no lugar da disputa interna entre José Serra e Aécio Neves como pré-candidatos do PSDB à presidência, foi a tecla batida insistentemente no primeiro turno. O episódio de Campo Grande é a marca do segundo turno, se algo novo não aparecer até o último dia do mês. É vergonhosa e ridícula a manipulação de imagens e informações.

A bolinha de papel, a meia-verdade, transformou-se na mentira do rolo de fita adesiva no lugar de parte da cabeça de um tolo apoiador de Serra. Era o que faltava para o retorno da tática nazi-fascista ensinada por Goebbels e repetida à exaustão ao longo dos anos. Não foi diferente em 1989 com a compra de Miriam Cordeiro e a montagem do Jornal Nacional, após o último debate do segundo turno entre Lula e Collor, em 14 de dezembro.

A resposta é a derrota desta “onda reacionária”, em 31 de outubro de 2010. As eleições presidenciais centram a luta de classes e exigem o povo na rua: antes para a vitória eleitoral; depois para base da futura governabilidade, única voz que as classes dominantes temem e que colocam do lado popular a vacilante classe média e os fisiológicos governistas.

O nazismo se foi? Pelo que se vê na campanha eleitoral brasileira há uma rediviva permanência dessa diretriz em filhotes de Goebbels nas redações de alguns jornais, emissora de televisão e sítios de da internet, além do uso do telefone para mentir e intimidar. Ah, mas eles dirão que não sabem de nada! Resta a nós o conforto das palavras do saudoso Bertolt Brecht: "Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso".