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sábado, 27 de novembro de 2010

Unasul na defesa da soberania Sul-Americana

No encontro que marcou sua despedida da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o presidente brasileiro fez duras críticas aos Estados Unidos e ao FMI.

Os líderes do bloco aprovaram sexta-feira (26) a criação de um protocolo contra os golpes militares na América do Sul, prevendo sanções econômicas e políticos aos governos que forem impostos de forma antidemocrática. Na região, sempre é bom lembrar, as conspiração golpistas passam invariavelmente pelas embaixadas dos EUA.

O protocolo democrático estabelece a suspensão, do âmbito da Unasul, dos países que sofram golpes de Estado e autoriza os países vizinhos a aplicar um bloqueio comercial.

Contra o golpismo
Elaborada pelo Equador, que passou a presidência temporária do bloco à Guiana, a proposta chegou a gerar desentendimento entre os chanceleres da região sobre seus critérios de aplicação. Mas o documento final acabou sendo aprovado pelos presidentes.

"Banir os golpes de Estado da América do Sul – e temos que banir de toda a América Latina – é um compromisso da maior importância, e a Unasul mostrou que pode ajudar", afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, a jornalistas em Georgetown.

A seu ver, a medida aprovada pelo bloco pode ajudar a evitar o efeito cascata de desestabilização na região, tendo como precedente a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya, no ano passado.

Para Amorim, o mau exemplo de Honduras contribuiu para que os presidentes reagissem imediatamente durante a recente crise no Equador, que viveu, no final de setembro, uma tentativa de golpe contra o presidente Rafael Correa.

Antes de Correa, foram vítimas de tentativas golpistas os presidentes da Venezuela (abril de 2002) e da Bolívia (2008). Nos dois casos, os golpistas foram derrotados. Já em Honduras, os “gorilas” acabaram vitoriosos em 2009. As embaixadas norte-americanas tiveram participação ativa em todos esses movimentos.

"A carta democrática da Unasul será fundamental para afastar riscos à ordem institucional na região", afirmou Lula em discurso na 4ª Cúpula da Unasul, em Georgetown, capital da Guiana

Elites submissas
"O que é importante é que não se pode abrir mão, em momento algum, de construir uma América do Sul forte, sem analfabetos, sem desnutrição, com avanço científico e tecnológico. Mas, sobretudo, uma América do Sul onde cada cidadão sul-americano tenha orgulho de ser do jeito que nós somos."

Ao enaltecer a Unasul, Lula criticou os governantes sul-americanos das décadas de 1980 e de 1990 por não terem avançado na integração regional e também por terem aceitado os modelos econômicos ditados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Esses programas, com o mesmo caráter reacionário dos que estão sendo aplicados hoje na Grécia e Irlanda, eram vazios de conteúdo social, na opinião do presidente.

Ele também disse sentir-se ofendido quando via, no passado, fotos nos jornais dos técnicos do FMI desembarcando no Brasil. ao final de cada ano, para negociar as condições de novos empréstimos. Para ele, esses governos agiram de forma "submissa às elites" e desprezaram o conceito de soberania.
"Alguns países precisaram ser refundados", declarou Lula, valendo-se de um termo caro aos líderes do bolivarianismo - além de Chávez, o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa.

Nova etapa

Lula voltou a criticar a reação dos EUA ao anúncio do acordo na área nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã, em maio passado. Afirmou que os EUA jamais poderão resolver o contencioso com o Irã porque o país imperialista é um "criador de problemas".

A Unasul inicia uma nova etapa, com a Guiana na presidência e o compromisso de dar novos passos para a integração regional e a consolidação da região como zona de paz. O relatório do presidente equatoriano, Rafael Correa, ao inaugurar a IV Cúpula em Georgetown em presença de seus homólogos da Argentina, Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai, Suriname, Venezuela e os chanceleres de Bolívia, Chile, Peru e Uruguai, traçou a pauta do encontro.

Uma ovação fechada foi a melhor homenagem ao primeiro Secretário Geral do bloco regional, o ex-presidente argentino, Néstor Kirchner, falecido recentemente e que recebeu o reconhecimento póstumo de todos no Centro Internacional de Convenções da Guiana.

Protocolo democrático
Ainda não se sabe quando se dará sua substituição até a próxima reunião dos mandatários em Mar del Plata, Argentina. A IV Cúpula esteve carregada de notícias transcendentes, como a aprovação do Protocolo Democrático para evitar futuras tentativas de golpes de Estado.

O documento aprovado foi de consenso, a única mudança realizada foi o de usar "protocolo" em lugar de "cláusula" que foi o termo utilizado pelos Chanceleres. O mandatário da Guiana, Bharrat Jagdeo, ao assumir a presidência pró témpore da Unasul destacou a importância de que este mecanismo de integração seja incondicional na aplicação do protocolo democrático lembrado por unanimidade.

"Independentemente das ideologias dos países que tenham suas democracias ameaçadas, afirmou Jagdeo, temos que assegurar que isto (golpes de Estado) não se passe em nossa região".

Reconciliação 
Ao final do encontro outra notícia inesperada foi o anúncio de Correa e do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, da restauração plena de suas relações, interrompidas após o bombardeio colombiano a Angostura em março de 2008.

"O destino tem que ser traçado, não sofrido, os desafios são grandes, mas é maior ainda nossa esperança", afirmou o presidente pró témpore que sai ao vislumbrar uma região de paz, sem bases militares estrangeiras e capaz de dirigir por si mesma seus próprios conflitos.

Fonte 

redação vermelho.org.br , com agências

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação midiática

O professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachussetts, Noam Chomsky, elaborou uma lista das "10 Estratégias de Manipulação" através da mídia. O Mundo de Fato publica abaixo.

Manipulação da mídia
A manipulação da mídia
10 Estratégias de Manipulação

Por Noam Chomsky

A estratégia da distração
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O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").


Criar problemas e depois oferecer soluções

Esse método também é denominado "problema-ração-solução". Cria-se um problema, uma "situação" previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

A estratégia da gradualidade 


Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

A estratégia de diferir
Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade

A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais.

Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

Manter o público na ignorância e na mediocridade


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

Estimular o público a ser complacente com a mediocridade 

Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

Reforçar a autoculpabilidade

Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem
No transcurso dos últimos 50 anos, os avançosacelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem disfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico.

O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Fonte: Argenpress, reproduzido por dital

sábado, 20 de novembro de 2010

Cristovam Buarque: Gordura e crescimento

Gordura e superpopulação deixaram de ser sinais de riqueza inteligente, tanto para cidades quanto para pessoas. Mas as pessoas ainda resistem em perceber que a gordura que as rodeia, na forma de bens, consumidos ou de patrimônio, não é mais sinal de riqueza inteligente.


por Cristovam Buarque*

Durante séculos, acreditamos que as cidades ficavam melhores à medida que aumentavam. Faz pouco tempo, percebemos a necessidade de reduzir as cidades, para viver melhor fora das megalópoles. Já é possível ser mais feliz em cidades menores.

Também durante séculos, acreditamos que as mulheres e os homens gordos eram mais saudáveis e mais ricos, carregando no corpo as provas da riqueza, as lembranças do prazer de comer e o fim da angústia da fome. Hoje, pelo contrário, o símbolo da riqueza e da beleza é a esbeltez. Nas sociedades modernas, são os pobres que engordam; os ricos gastam fortunas para emagrecer.

Gordura e superpopulação deixaram de ser sinais de riqueza inteligente, tanto para cidades quanto para pessoas. Mas as pessoas ainda resistem em perceber que a gordura que as rodeia, na forma de bens, consumidos ou de patrimônio, não é mais sinal de riqueza inteligente.

Porque essa riqueza já não cabe no mundo. As cidades vivem com suas aortas entupidas de automóveis, a atmosfera envenenada por dióxido de carbono. O organismo social padece das doenças que convenceram as pessoas a reduzirem suas cinturas. Também porque a segunda lei da termodinâmica deixa claro que nada pode crescer infinitamente em um mundo finito, com recursos naturais esgotáveis.

Depois de dois séculos de civilização industrial, principalmente na segunda metade do século XX, e muito mais com a globalização das últimas décadas, o PIB se transformou no símbolo do avanço civilizatório. Não importa se a compra vai endividar, comprometer o consumo de coisas mais essenciais à família, tirar as crianças de uma boa escola.

Não importa também se as horas perdidas no trânsito aumentam, ou se os engarrafamentos consomem tempo de vida ou provocam angústias e perdas. Como o consumo de combustível eleva o PIB, o engarrafamento passa a impressão de que a sociedade está mais rica, apesar da diminuição da felicidade geral.

Na medida em que percebemos o "desvalor" dos bens que engordam as cidades e as casas, tomamos consciência da possibilidade e da conveniência de aumentar o bem-estar graças ao decrescimento da produção de bens materiais e privados, com aumento na oferta de bens e serviços públicos e culturais. Diante da crise ecológica previsível e das insatisfações sociais já sentidas, surgiu, especialmente na Europa, um movimento pelo "decrescimento-feliz".

O conceito de decrescimento, atualmente debatido na Europa, substitui a ideia do crescimento ilimitado pela meta de uma sociedade melhor, que consume menos. É claro que esse decrescimento não se aplica linearmente em um mundo onde 20% consomem 85% dos recursos naturais. Em consequência, 80% da população vivem com menos do que o necessário.

Em 1980, a Editora Paz e Terra publicou um livro com o título "Desordem do progresso — O fim da era dos economistas", logo traduzido em Londres com o título "The End of Economics".

Há poucas semanas, o jornalista Clóvis Rossi publicou um artigo com o título "Felicidade Nacional Bruta", em que comenta o movimento mundial em busca de um novo indicador para o progresso. O IDH — Índice de Desenvolvimento Humano — já é levado a sério. O governo francês pediu e já recebeu uma proposta, elaborada por economistas, visando a um indicador que substitua o PIB.

É inevitável que a ideia de decrescimento-feliz ganhe adeptos. Que se espalhe e seja aceita tanto quanto a ideia de crescimento dominou o século XX. Antes disso, poderá ser recusada e ridicularizada, assim como a industrialização enfrentou fortes resistências do mercantilismo e da fisiocracia.

Mas prevaleceu, porque representava a força do progresso. O decrescimento-feliz vai prevalecer graças à fragilidade da atual concepção de progresso para enfrentar a força da natureza e as insatisfações existenciais. Não deve demorar muito para que o crescimento econômico passe a ser visto com o desconforto que hoje recai sobre a gordura do corpo e o tamanho das cidades.

*Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Guerra dos Botões

Sidnei Liberal *

(Caro Marquinho) O poder da mídia está bem mais acima do que o poder eventual de um Cidadão Kane, um Roberto Marinho ou mesmo um Guillermo Zuloaga. O problema maior é o controle da comunicação que no mundo todo está circunscrito a meia dúzia de megaempresas.

Refiro-me à televisão, ao livro, jornal, revista, cinema, rádio, a despejar em nossas cabeças, já muito ocupadas com o cotidiano, a notícia já selecionada, conforme mostra “A Caixa de Sapatos de William Bonner”, postado no Boletim HSLiberal ¹. É desse modo que recebemos, muitas vezes de forma descuidada, a informação que outros interesses produzem. E falo apenas daqueles que, como nós, lê, ouve e vê com alguma criticidade. Imagine aqueles que nem tempo tem para pensar.

Recorrer à Justiça? Primeiro, ela nunca fará, como nunca fez, a reposição justa por um dano causado pelo desproporcional poder midiático. A notícia irresponsavelmente dada, sem a apuração profissional da cartilha jornalística, não tem o seu desmanche garantido, mesmo que desminta em igual tamanho e lugar. Nem há dinheiro que pague uma difamação, uma calúnia, um dano moral. E veja que a não apuração tem sido a tônica mundial, com reclamos que vão de Obama a Chávez. Em segundo lugar, os donos da Justiça têm o mesmo DNA que os donos da comunicação, no mundo inteiro.

Imagine o estrago que fazem, em escala mundial, os meios de comunicação que, como você bem diz, “pode criar heróis ou bandidos, levar uma pessoa ao sucesso ou apeá-la dele, santificar ou satanizar grupos ou indivíduos”. E quem são os donos dessa mídia pós-derrocada da União Soviética, num mundo não mais bipolar? Hoje, o partido único, que você tanto teme, tem sede em Washington. E quando falo de partido, estou falando do Mercado, do deus-mercado. Mas, também poderia estar falando de único partido no poder nos EUA. Ou os Democratas e Republicanos têm alguma diferenciação ideológica entre si?

A guerra e a arrogância de Obama são diferentes ou mais amenas do que a de Bush? Diminuíram ou aumentaram os esforços da guerra imperialista de ocupação e de alteração da geopolítica mundial? Aumentaram ou diminuíram os poderes dos órgãos multipolares que garantiam certo equilíbrio, certa limitação ao insaciável expansionismo bélico de Washington?

Diante de tanto poder, é desprezível a discussão sobre uma pretensa limitação da mídia na Venezuela. Recorrentes divulgações da imprensa brasileira dizem que a imprensa de Caracas não pode se manifestar contra o governo. Os fatos históricos não são assim. Ali, a mídia privada, que é a grande maioria, pregou explicitamente durantes meses, diariamente, em todos os canais e em todos os horários, a deposição do governo. E a mídia conseguiu o golpe, apeando do poder o presidente eleito pelo voto democrático. Com ajuda de Washington, documentadamente. Veja (não deixe de ver) o vídeo “A revolução não será televisionada”², de cineastas irlandeses. Ou “A Guerra contra a Democracia”³, do premiado jornalista John Pilger. Não sejamos apressados, caro Marquinho, em julgar o processo venezuelano.
Tampouco não nos apressemos em crer, sem criticidade, os mitos e exageros adrede plantados em livros, jornais, cinemas, revistas, televisões, rádios, sobre os processos da antiga União Soviética, da Revolução Cultural chinesa, da Revolução Cubana ou do processo cambojano. Essa visão distorcida e recorrente tem um objetivo muito claro: esconder o outro lado da História. Uma cortina de fumaça esconde a verdadeira dimensão do nazismo, cujas cifras de extermínio, 6 milhões de judeus, são cotejadas com supostos 60 milhões de mortes creditadas a Stalin. A discussão do tema extermínio esconde as mortes praticadas contra a resistência de nações invadidas em sua soberania pelas guerras de expansão e de conquistas de bases militares e de petróleo.

Veja, caro Marquinho, que quando você fala de Hiroshima e Nagasaki, não por sua culpa, não aparece a assinatura na terrível obra macabra com que os Estados Unidos da América inauguraram seus brinquedos de destruição em massa. Milhares de vidas destruídas de uma só vez, outras tantas condenadas a doenças fatais pelo resto de suas vidas. Até parece que foi fruto de uma fatalidade. Mas, não foi. Foi tio SAM quem cortou a fita simbólica da Era Nuclear. Hoje, EUA declaram ter 5 mil e tantas ogivas nucleares, fora as não contabilizadas, por não se submeterem ao crivo da AIEA. Falo das que Washington assiste “tecnicamente”, na Índia, no Paquistão, em Israel.

Por falar em Israel, Intifada é, do lado palestino, “A Guerra dos Botões”4, diante do despejar de mísseis judeus numa população de velhos, crianças e mulheres, encurralada no gueto de Gaza. Ou mísseis ianques nos povoados da Coréia, do Vietnã, antes, do Iraque, do Afeganistão, hoje.

E você sabe, caro Marquinho, de que lado estão os pouquíssimos donos de quase todos o meios de comunicação no mundo?

(1) http://boletimhsliberal.blogspot.com/search?updated-min=2009-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&updated-max=2010-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&max-results=33
(2) http://www.google.com/url?q=http://www.youtube.com/watch%3Fv%3DaQu8ic0WRXo&source=video&vgc=rss&usg=AFQjCNGAnyXoOoAZ_6WE4hKLqmxEREfbvQ
(3) http://www.youtube.com/watch?v=zP1gBNjpshA
(4) Filme clássico do cinema francês, de um lirismo impressionante, dirigido por Yves Robert, em1962, baseado na obra do escritor francês Louis Pergaud, “La Guerre des Boutons” (1913).

Unasul aguarda adesão de nono país para efetivar o bloco

A existência jurídica da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) está cada vez mais próxima. No dia quatro de novembro, o Suriname se tornou o oitavo país a ratificar o Tratado Constitutivo do bloco. Com isso, o país se uniu oficialmente à Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru e Venezuela na espera pelo nono país, aquele que dará vida jurídica à Unasul.


Segundo informações do Ministério de Relações Exteriores, Comércio e Integração do Equador, país que tem a presidência temporária da Unasul, o chanceler do Suriname, Winston Guno Lackin, informou, por telefone, ao chanceler equatoriano Ricardo Patiño sobre a decisão. Contudo, a notícia só foi divulgada oficialmente por Patiño na última sexta-feira, dia 12.

Novo secretário-geral


A expectativa agora é pela adesão de mais um país, pois a Unasul estabelece que pelo menos nove dos seus 12 países membros ratifiquem o Tratado Constitutivo do bloco para sua entrada em vigor. Espera-se que a adesão do nono país aconteça em breve, pois no próximo dia 24 tem início a cúpula da Guiana, quando este país receberá, do Equador, a presidência do bloco. O Encontro será realizado na Cidade de Georgetow (Guiana) e seguirá até dia 26.

Nesta mesma ocasião, os países membros deverão eleger um secretário geral para suceder o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, falecido no dia 27 de outubro em virtude de um ataque do coração. Um dos candidatos é o ex-presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez. Luiz Inácio Lula da Silva e Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, também são cogitados como candidatos para o cargo.

Ratificação


É provável que Colômbia ou Uruguai sejam os próximos a ratificar o Tratado. A fim de incentivar e acelerar esse processo Ricardo Patiño viajou, no mês de setembro, aos dois países. A nação colombiana já deu fortes indícios de que poderá ser o próximo, visto que em sessão plenária do Senado o projeto teve a aprovação de 68 legisladores. Os próximos passos são a aprovação da Câmara de Representantes e a sanção por parte do Executivo.

No Uruguai, a adesão ao Tratado também está sendo tema de debates. No ano passado, o projeto foi aprovado, mas recebeu apenas a adesão da Frente Ampla. Assim, a lei não foi sancionada e o processo voltou para a estaca zero. No status atual, o processo se encontra na Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara de Deputados e pode chegar ao Executivo e ser finalizado até o final deste mês.

Em coletiva de imprensa realizada em Quito, no Equador, Patiño citou a situação do Uruguai e do Brasil e afirmou estar muito otimista com relação ao posicionamento desses países. O chanceler acredita que, em breve, todos os membros do bloco ratificarão o Tratado.

História

O bloco surgiu para fortalecer e integrar os países sul-americanos no que diz respeito a temas políticos, sociais, culturais e econômicos. Teve sua origem na Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN), criada em dezembro de 2004, durante a III Reunião de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul, realizada em Cusco, no Peru. No dia 16 de abril de 2007, na I Cúpula Energética Sul-Americana, realizada na Isla Margarita, Venezuela, decidiu-se batizar o novo processo de integração como "União de Nações Sul-Americanas".

A confirmação da vontade dos chefes de Estado sul-americanos foi feita em 23 de maio de 2008, em Brasília, capital Federal do Brasil, quando os 12 países membros (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela e Equador) aprovaram o Tratado Constitutivo e decidiram que o bloco entraria em vigor após a ratificação de pelo menos nove países.

Fonte: Natasha Pitts, da Adital

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tereza Cruvinel: quem é Dilma, a carta que Lula tirou da manga?

Dilma Vana Rousseff já teve muitas vidas, muitos nomes e muitos projetos de vida. O que ela nunca imaginou é que seria a primeira mulher brasileira a conquistar, pelo voto, o mais alto cargo da República, até agora ocupado só por homens. Ela foi eleita presidente com 55,5 milhões de votos, correspondentes a 56,01% dos votos válidos, derrotando José Serra, do PSDB, que teve 43,606 milhões de votos, ou 43,99% do total de votos válidos (com 99,56% das urnas apuradas).

Por Tereza Cruvinel, na EBC

Muita gente, dentro e fora do governo, também achava que isso seria impossível: embora a política tenha marcado toda a sua vida, Dilma nunca havia disputado antes uma eleição.

Dilma não tem jogo de cintura eleitoral”, “Dilma é durona e carrancuda”, “Dilma é uma técnica sem carisma”. “Dilma não tem trânsito entre os partidos e os políticos”. Tudo isso e muito mais foi dito sobre a então ministra-chefe da Casa Civil, quando, ainda em 2008, começou a circular a notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pensava nela como candidata a sua sucessão.

No segundo mandato, a aprovação do governo e a popularidade do presidente Lula alcançaram índices inéditos, e isso foi possível porque, depois de ajustar as contas públicas no primeiro mandato, a política econômica, combinada com a política de distribuição de renda e os programas sociais, começou a produzir excelentes resultados: a economia crescia, gerava mais empregos, a renda dos mais pobres aumentava, a desigualdade diminuía, o país se tornava melhor internamente e mais respeitado lá fora. Na era Lula, cerca de 28 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema e ascenderam socialmente.

Mas esse paraíso político foi precedido de um inferno zodiacal. No primeiro mandato esses resultados ainda não haviam aparecido. Além de ter feito um ajuste fiscal necessário, mas que atrasou a retomada do crescimento, o governo enfrentou escândalos que minaram a popularidade de Lula e do PT.

Os nomes fortes do partido, que poderiam ter sido alternativas sucessórias para 2011, foram todos queimados nas crises do primeiro mandato. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, foi cassado no escândalo do mensalão, e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi alvejado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Na substituição de Dirceu, Lula surpreendeu a todos ao descartar quadros políticos do PT e dos partidos aliados e convidar Dilma, então ministra de Minas e Energia, de perfil eminentemente técnico. Lula pediu-lhe um choque de gestão na Casa Civil e uma atuação mais gerencial e menos política. Era exatamente o que ela sabia fazer.

Mas esta não foi a primeira vez que Lula surpreendeu com o nome de Dilma. Ele a conhecera no Rio Grande do Sul, como secretária de Minas e Energia do governo do petista Olívio Dutra. Na montagem do primeiro ministério, em 2002, ele desautorizou um acordo já fechado por seu coordenador político José Dirceu com o PMDB e entregou a ela a pasta de Minas e Energia.

Ali, Dilma trabalhou duro para evitar um novo apagão elétrico, como o que houvera no governo de Fernando Henrique, desenvolveu o Programa Luz para Todos, planejou a construção de novas hidrelétricas e a diversificação da matriz energética brasileira. Essa dinâmica é que Lula queria na Casa Civil. E Dilma não o decepcionou. Passou a coordenar as ações de todo o governo e ganhou fama de durona. “Até parece que vivemos cercadas por homens meigos e delicados”, ironizou Dilma na época.

A ministra havia brigado pela redução do superávit fiscal para que sobrassem mais recursos para investimentos em obras de infraestrutura, que criam as bases para o crescimento de longo prazo, aquecem a economia e geram empregos. No final do primeiro mandato, já havia dinheiro para isso e ela elaborou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pedido por Lula.

O programa foi lançado em janeiro de 2007, nos primeiros dias do segundo mandato. O PAC previa investimentos de R$ 500 bilhões em quatro anos, em grandes obras de infraestrutura, como portos, ferrovias e hidrelétricas, gastos com obras em favelas e o financiamento habitacional maciço, como o programa Minha Casa, Minha Vida.

Foi na inauguração de obras de saneamento e habitação numa favela do Rio de Janeiro, o Complexo do Alemão, no dia 7 de março de 2008, que Lula começou a escolher sua sucessora. "A Dilma é uma espécie de mãe do PAC. É ela que cobra, junto com o Marcio Fortes [ministro das Cidades], se as obras estão andando. e agora vocês também vão ver o que é ser cobrado pela Dilma."

Em recente entrevista à TV Brasil Internacional, Lula nos contou, no intervalo da gravação, que naquele dia começou a amadurecer a ideia de que Dilma poderia ser a candidata que ele não tinha para a sucessão que se aproximava. A oposição tinha dois nomes fortes, Aécio Neves e José Serra, ambos já provados nas urnas.

Dilma não tinha experiência eleitoral, mas representava uma novidade. Era mulher, pensava o presidente. Se conseguisse transferir para ela uma parte de sua imensa popularidade, poderia elegê-la.

Ela surpreendeu-se com a confidência, mas não recusou a ideia. Dilma sabia de todas as dificuldades que seu nome enfrentaria, inclusive dentro do PT. Lula tratou disso com os dirigentes do partido. Dilma não era mesmo um quadro histórico, mas o partido também não tinha outro nome. Quem tinha a força era Lula e sua indicação foi prontamente aceita. O PT a escolheu oficialmente em fevereiro deste ano. Dilma deixou o governo, juntamente com dez ministros, em 31 de março para enfrentar a aventura eleitoral.

Muitos nomes, muitas Dilmas

Mas quem é esta mulher que, tendo pensando em ser bombeira ou trapezista, tendo enfrentado a prisão e a tortura por causa de suas ideias políticas, mas nunca tendo disputado uma eleição, torna-se a primeira presidente do Brasil?

Embora não tivesse mesmo disputado qualquer eleição antes, a política sempre foi o motor da vida de Dilma. Sua atuação começou no movimento estudantil, no segundo grau e depois na universidade, combatendo a ditadura militar. A militância a levará para a clandestinidade e para a prisão. Enfrentará a tortura nos porões do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e três anos de reclusão no Presídio Tiradentes.

Tudo começou em Belo Horizonte, onde ela nasceu em 14 de dezembro de 1947. Seu pai, Pedro Rousseff, foi um imigrante búlgaro. Chegou ao Brasil nos anos 30, casou-se com uma professora chamada Dilma e tiveram três filhos, formando uma típica família de classe média.

Dilma, a mais velha, estudou primeiro num colégio de freiras tradicional, o Sion, onde tomou gosto pelos livros, principalmente os de literatura. Há pouco tempo, ficou sabendo que só ela e mais três colegas do Sion seguiram carreiras profissionais. As outras tornaram-se donas de casa, como era o costume.

No ano de 1964, em que os militares derrubaram o presidente João Goulart, dando início à ditadura, Dilma entrou para o Colégio Estadual Central, foco da agitação estudantil secundarista da capital mineira. Três anos depois passa no vestibular para economia, na UFMG, e ingressa na organização esquerdista Polop, tornando-se uma líder estudantil importante, culta e combativa.

Nesse tempo aconteceram coisas importantes na vida de Dilma. Conquistou amigos que tem até hoje, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, e o hoje deputado José Aníbal, do PSDB. Namorou com Cláudio Galeno e com ele teve um casamento que durou pouco. A vida agitada e o mergulho que foi obrigada a dar na clandestinidade não ajudaram.

Nessa época, a Polop se transforma em Colina (Comando de Libertação Nacional), que irá se fundir com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), formando a VAR-Palmares. A VAR-Palmares fez algumas ações armadas contra a ditadura, mas Dilma, que atuava em estratégia e planejamento, não participou de nenhuma delas. Na campanha, entretanto, essa passagem de sua vida foi muito explorada.

Na clandestinidade, como mandavam os manuais de segurança, Dilma usou vários codinomes. Chamou-se Luiza, Wanda, Marina, Estela, Maria e Lúcia. Separa-se de Galeno, que vai para o exílio, e conhece Carlos Franklin de Araújo, que vem a ser seu segundo marido e pai de sua filha Paula.

Em 1970, Dilma é presa e brutalmente torturada durante várias semanas. Depois é condenada a três anos de reclusão, tempo em que passou sobretudo no Presídio Tiradentes, onde o marido Carlos Araújo também cumpria pena em outra ala. Três anos depois, após serem libertados, constroem uma vida juntos no Rio Grande do Sul, onde nasce Paula, que no final do primeiro turno, dará a Dilma seu primeiro neto, Gabriel.

Em Porto Alegre, já em liberdade, Dilma consegue terminar o curso de economia e a seguir cursa o mestrado. Atua, com o marido, nos movimentos pela anistia e pela redemocratização. Ajudam a fundar no estado o PDT de Leonel Brizola.

Em 1986, o pedetista Alceu Collares elege-se prefeito de Porto Alegre e convida Dilma para ocupar a Secretaria Municipal de Fazenda. Collares elege-se governador em 1990 e ela se torna secretária estadual de Minas, Energia e Comunicação.

O governo de Collares era fruto de uma aliança entre o PDT e o PT, que se romperá em 1994. Dilma faz então a opção pelo PT, filiando-se ao partido. Outra aliança que se rompe nessa época é a matrimonial. Separa-se do marido Carlos Araújo, embora preservem grande amizade e cumplicidade até hoje. Foi como secretária de Minas e Energia que Dilma conheceu Lula e despertou seu interesse, valendo-lhe, mais tarde, a nomeação para a pasta de Minas e Energia.

Um câncer no caminho

A caminhada para a Presidência não foi fácil. Com a candidatura já definida por Lula e aceita pelo PT, Dilma descobre, no inicio de 2009, que tinha um câncer linfático. O anúncio da doença, no dia 25 de abril, foi uma decisão corajosa.

No primeiro momento, a candidatura foi dada como inviável. Ela poderia não vencer a doença e, mesmo que vencesse, o eleitorado poderia rejeitar seu nome, temendo o pior. Os médicos garantem chances de cura superiores a 90%. Dilma faz sessões de quimioterapia, perde o cabelo e usa peruca por uns tempos, sem interromper a rotina de trabalho na Casa Civil. No final do ano, os médicos a declaram curada.

No final de 2009, a sua saúde vai bem e a popularidade do presidente, melhor ainda. Dilma volta a um hospital, mas agora para cuidar da imagem. O conselho fora de Lula. Ela faz uma plástica e reaparece em público, em 2010, com a fisionomia mais jovem e descansada. Está começando a batalha eleitoral.

Mas ela começa em desvantagem. Em fevereiro deste ano, tinha uma média de 28% de preferência e José Serra, do PSDB, sempre mais de 40%. O primeiro empate acontece em maio deste ano, mas surge um fator inesperado – o crescimento da candidatura de Marina Silva, que trocara o PT pelo PV.

A campanha começa para valer em agosto e o presidente Lula entra em campo, garantindo a transferência de votos de que muita gente duvidava. Em 15 de maio deste ano, o instituto Vox Populi divulga a primeira pesquisa em que Dilma, com 38%, ultrapassa José Serra, com 35%.

Diferentes institutos apontam a vitória de Dilma no primeiro turno de 3 de outubro por mais de 50% dos votos, mas ela obtém apenas 47% dos votos. Os analistas apontam duas causas para o segundo turno. O crescimento da candidata Marina Silva, do PV, e uma forte onda de boatos, inclusive pela internet, acusando Dilma de ser a favor do aborto e do casamento entre homossexuais. Ela perde milhões de eleitores entre católicos e evangélicos.

No segundo turno, a campanha é agressiva, os candidatos sobem o tom nos debates e o presidente Lula volta à arena eleitoral. Mas desta vez ela alcança a maioria necessária e torna-se a primeira presidente eleita do Brasil.



Tereza Cruvinel - Vermelho.org